quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Autocrítica

Lendo alguns escritos meus antigos
vejo que obtive alguns progressos
com letras bem mais consistentes
apesar de ainda fraco com os versos

há algo que ainda assim persiste
entre as palavras que eu escrevo
um lamento profundo entre temas
do meu cotidiano em alto-relevo

insatisfeito com minhas poesias
quero escrever insistentemente
até que não sobre mais nada
da minha frágil e vã mente

quem sabe assim eu possa
ficar em paz comigo mesmo
antes que a solidão cause
em mim uma vida a esmo

12.12.2017

Por: Antonio Lima Júnior

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Poema da Abstração

Solitário
procuro preencher o vazio
que há em mim
com vícios quaisquer
e amores vaporosos
em tempos líquidos

minha solidez está em versos
que faço nos poucos momentos
de abstração
até que essa massa uniforme
preencha meu vazio profundo

já não tenho medo da morte
ou dos assaltos em ruas estranhas
mas sim de chegar em casa
e ter a certeza de que nada encontrei
neste caminho lento e tortuoso
que faço todos os dias

02.11.2017

Por: Antonio Lima Júnior

domingo, 26 de novembro de 2017

Profecia

O homem é um nú enjaulado
preso em profundezas abstratas
um salto no escuro
um grito abafado
em busca de uma saída
sem saber que nos afogamos
e ainda não se vê
o fundo


26.11.2017

Por: Antonio Lima Júnior

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Reflexões de uma ressaca

Ando pelas ruas da cidade
sozinho com as mãos no bolso
sem conhecer ninguém
com breves acenos e sorrisos
não sei para onde quero ir

passo o dia olhando fotos
em redes sociais
de pessoas que não conheço
e nem mesmo interajo

não entendo porquê faço isso
tudo é muito automático
a gente nasce e aprende a andar
mas eu já nasci cansado
ando com vontade de deitar

quem saiba um dia eu acorde
e saia por aí chutando o lixo
falando alto e em bom som
com o peito rasgado
jorrando tudo que sempre quis
expurgar

29.09.2017

Por: Antonio Lima Júnior

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Segunda sozinho

A solidão de poder
em plena segunda-feira
sentar no corredor
acender um cigarro
olhar pra cima
e ouvir os carros passando
na avenida

uns podem me chamar
de desocupado
mas essa é a única hora
em que posso gozar
desse privilégio

11.09.2017

Por: Antonio Lima Júnior

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Reformismo (ou recauchutando um pneu imprestável)

Os cordeiros que tomam como certo
o rumo que seguem ao mundo novo
mesmo que guiados pelo mapa do lobo
ou quando ele mesmo dirige o ônibus do rebanho
mal sabem que depois que é dada a partida
não há como descer em movimento
e a cidade mais próxima
sempre será a barbárie

08.09.2017

Por: Antonio Lima Júnior

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Anjo Solitário

Este anjo solitário
anda pelas ruas da cidade
com as asas rebaixadas
ao ponto de esquecer
o real tamanho delas

às vezes acha que é demônio
por não andar entre seus pares
e preferir a solidão mundana
das vielas barulhentas
ao invés do pacato e silencioso
reinado celeste dos outros anjos

quem sabe um dia
de tanto diminuir-lhe as asas
elas desapareçam
fazendo assim enfim
virar um ser humano

até lá continuará solitário
sem saber se é anjo
demônio ou homem

27.08.2017

Por: Antonio Lima Júnior

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

o homem sem face

o homem sem face
anda pelas ruas sozinho
ninguém sabe o que ele pensa
não sorri
não sabe se está triste

não pergunta onde fica a rua tal
ele apenas anda com as mãos no bolso
sem saber o que os outros pensam de si

busca apenas o caminho certo
para encontrar aquilo que procura
o cenário é mero figurante
o buraco no asfalto
uma loja fechada
é tudo tão indiferente
quanto o seu rosto

06.10.2017

Por: Antonio Lima Júnior

domingo, 24 de setembro de 2017

Maquinando

Forço um poema
com versos que nada dizem
sobre o que sinto
no puro ato mecânico
de escrever

para conter os demônios
que circundam o meu quarto
trazendo consigo
as muriçocas
o calor
e um desejo inerente
de fazer aquilo que nunca tive coragem

eis que a poesia
torna-se mais que uma arte
és agora de mim
uma longa e triste parte

08.09.2017

Por: Antonio Lima Júnior

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

sumido

Às vezes
você sente a necessidade
de sumir
e deixar que as pessoas
um dia
se perguntem
"cadê fulaninho?"
já foi
pra nunca mais voltar
ou então, quem sabe,
cinquenta anos depois
voltar
e deixar que perguntem
"onde você foi?"
e responder
serenamente:
"fui só comprar cigarros
na budega.
Sentiu minha falta?"

22.06.2013

Por: Antonio Lima Júnior